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"Mulher do Patrão"


Na invasão do Complexo do Alemão em 2010, uma das surpresas foi a encontrada do pôster acima, da esposa (?) de um dos chefões do tráfico da favela, Fabiano Atanázio da Silva, o "FB". Um enorme pôster, com fotos dela e os dizeres "Não olha, nem mexe, sabe quem é? É mulher do chefe!" Esse verso era de um funk composto provavelmente pelo MC Max em homenagem a ela mesma.

Se já não bastasse essa moça se achar por ser de fato mulher de um "patrão" (de um chefe do tráfico) e ainda por cima ser como um troféu intocável (quem tocar pode até morrer!), a ideia do funk carioca se espalhou pelo Brasil. Aqui em Pernambuco logo o insidioso MC Sheldon (famoso por diversas músicas pedofílicas) fez um brega usando essas expressões, brega esse que logo virou nacional, pois como tudo que não presta atualmente faz sucesso e alguém quer se escalar nesse sucesso, logo o grupo de forró Garota Safada fez a sua versão, espalhando essa nojeira Brasil afora. E sim, muita gente, incluindo aí muitas, mais MUITAS mulheres, AMAM ser comparadas a mulheres de traficantes... que coisa heim...

O que está havendo com a sociedade? Eu ainda sou da época em que mulheres em sua grande maioria davam valor em serem chamadas de "flor", "linda", "amor", "amada", entre outros adjetivos preciosos e metáforas maravilhosas, e chamar uma delas de "gatinha" numa música ainda era considerado ofensivo. A partir dos anos 90, com a onda do axé music, parece que os valores foram sendo consumidos aos poucos. Logo viria a segunda leva do funk carioca, com suas músicas sobre "potrancas" e "popozudas", e daí pra baixaria total de hoje em dia bastaram 10 anos. E o pior: a sociedade acha LINDO tudo isso. As coisas que fazem sucesso só fazem porque tem quem dê mídia (Capitão Óbvio, rsrs), e é espantoso que as pessoas não percebam o modo de vida que elas celebram a cada dia com suas canções, menosprezando a si mesmas e cuspindo na própria Criação de Deus.

Será que vale tanto a pena assim ser "a mulher do chefe, não olha nem mexe"?

E a sua liberdade? E a sua segurança? Teria você alguma paz real vivendo assim, amigona?

Que algum dia - nem sei se esse dia AINDA chegará - as pessoas possam realmente repensar os valores que estão construindo. Ou melhor... destruindo...

Bono Vox falando para pastores



Assistam, é muito bom, concordo com o que ele falou.

Música Cristã X Cristãos

Escrito por Isma-El Kavallera

Vira e mexe esse assunto aparece por aki, né?
Normalmente costumo não me posicionar nas discussões da galera do blog porque realmente acho que, na vida, ninguém está 100% certo, nem errado.
O aprendizado está, realmente, na discussão de alto nível e respeito pela opinião alheia, mesmo entre partes que pensam de maneira oposta. Porém, até quando as pessoas vão se julgar donas da verdade e usar a Bíblia para justificar a sua própria intolerância? Se formos reparar, até bem pouco tempo, artistas que hoje consideramos “certinhos” também foram apedrejados por esses mesmos intolerantes: na década de 80, quando Amy Grant fez um disco que falava de temas desconcertantes como fidelidade conjugal e holocausto (Lead Me On) a galera intolerante “torceu o nariz”… (Atualmente o disco Lead Me On foi votado como o disco mais importante da música cristã de todos os tempos pela Revista CCM)!!!
Quando escreveu “Baby Baby”, teve que se apresentar no Grammy cantando para o filho para provar que o “baby” em questão era ele e não um namorado… Nesse mesmo CD, ousou falar de abuso sexual numa letra contundente “Ask me if I think there’s a God up in the heavens. Where did He go in the middle of her shame?”.
A galera “horrorizada” achou que a coitada tinha “se desviado” de Deus porque foi honesta consigo mesma; quase baniram o Petra quando os caras “ousaram” fazer um cover de “God Gave Rock’n'Roll to you” (Deus deu o Rock’n'roll para você) no disco Beat the System. Galera intolerante ficava horas rodando o discão ao contrário pra ver se descobria alguma “mensagem subliminar”!!

E no Brasil? Até o grupo “Vencedores por Cristo” passou maus bocados nos anos 70 pq gravou bossa-nova no disco “De Vento em Popa” (clássico!)e ainda usou termos da moda como “pileque” (o que??? não pode!!!) – diziam os intolerantes…
No disco Louvor II, quase tiveram que recolher uma tiragem inteira por que o Sérgio Pimenta escreveu que “Deus mandou Jesus pra consertar a sua história”… É isso!!! Enquanto encararmos as diferenças que existem entre cada um de nós com intolerância, sempre haverá “caça às bruxas”.
Fica sempre mais fácil criticar do que conviver com a diversidade que devia, isso sim, ser encarada como um presente de Deus para as nossas vidas.(Paulokpc)

Alguns cristãos" (sim, entre aspas!) pensam ditar "regras" para um evangelho que é livre e prega, além do amor de Deus, sobre a exortação do pecado e das atitudes mesquinhas do ser humano.

Muitos pensam que usar roupa social, lamber o cabelo pra trás e ir todo domingo na igreja significa "diferença". Bem, sim eu concordo, se querem ser um bando de retardados "diferentes". Muitas pessoas falam de heresias, mas são tão heréticas que até o diabo tem inveja. Distorcem a Palavra que elas alegam amar e cumprir, complicando o óbvio, adaptando palavras ao seu bel prazer, conforme lhes convém. E algo que elas "adoram" (sim, ADORAM) fazer é julgar e condenar. Pior de tudo, sem terem noção do que estão falando. E adivinha qual é a principal vítima: Sim, a MÚSICA!

Para muitos, se a música não falar de "chuva, chuva e mais chuva", não tem unção e não é de Deus! (credo, parecem até que são índios e tão invocando espíritos!) Ou se a música não tiver um embalo sertanejo, não merece ser ouvida. E ainda aqueles que acham que a Harpa Cristã, com suas músicas pobres (me refiro ao instrumental), é o que conta e pronto. Não se pode falar nada que não tenha "chuva, Zaqueu, sabor de mel, advogado, Jesus e Espírito Santo", senão a música não é de Deus(!)

Bem, eu poderia concordar, SE nos altares, os pastores pregassem somente salvação, apocalipse e amor, mas como falam mais de dinheiro e prosperidade, e até do demônio, do que do proprio Jesus, então nem vamos dar crédito para mais mesquices!

A música sempre foi uma forma de alegrar o coração do homem (já ouviu falar do Rei Saul?), contar histórias através dela, além de servir como arma (ou ferramenta cultural) para alertar a sociedade. Se você, cristão, vê um garoto se chapando, não irá alertá-lo do perigo da droga? Se ver uma jovem se prostituindo, não irá avisar-lhe sobre o risco da AIDS? Falar de Deus para estas pessoas é algo certo e obrigatório de nossa parte, mas se ninguém explicar-lhes também as coisas deste mundo, quem irá? Já pensou uma prostituta líder de louvor da igreja ou um pastor chapadão? Não foram totalmente libertos? Errado. Não foram devidamente alertados.

Esse assunto já é debatido há tempos em comunidades do orkut, fóruns, blogs, etc. Contudo, eu reparei que aqui no nosso blog não havia isso ainda, e como acabei lendo algo muito interessante tempos atrás, resolvi trazer até vocês agora!

MÚSICA SECULAR NA BÍBLIA?

Existe um certo dilema - "Ouvir musica secular ou não?" - entre alguns cristãos (e isso independe do estilo musical), já vi diferentes pontos de vista. Contudo, poucos deles - e aqui eu falo de ambos os lados: tanto dos que não veem nada demais como de quem condena - conseguiram realmente me convencer de algo.

Então, fui procurar na Bíblia a resposta, afinal, todo bom cristão considera-a como a palavra de Deus, inspirada e feita por ele. Infelizmente, não há nenhum versículo super literal e óbvio do tipo "Entendeu-ou-quer-que-eu-desenhe?", contudo há algumas coisas do AT que me chamaram bastante atenção. Prefiro não entrar em detalhes e ir direto aos versículos.

Davi CANTOU este lamento sobre Saul e seu filho Jônatas, e ordenou que se ensinasse aos homens de Judá; é o Lamento do Arco, que foi registrado no Livro de Jasar:

"O se esplendor Israel,
está morto sobre os seus montes.
Como caíram os guerreiros!

Não conte isso em Gate,
não o proclame nas ruas de Ascalom,
para que não se alegrem
as filhas dos filisteus
nem exultem as filhas dos
incircuncisos

[...]

Como estou triste por você, Jônatas, meu irmão!
Como eu lhe queria bem! Sua amizade era, para mim, mais
preciosa que o amor das mulheres!

Caíram os guerreiros!
As armas de guerra foram destruídas! (2SAMUEL 1:17-27)

Ou até mesmo:

Então o rei CANTOU este lamento por Abner:

"Porque morreu Abner
como morrem os insensatos?
Suas mãos não estavam algemadas,
nem seus pés acorrentados,
Você caiu como quem cai
perante homens perversos (2SAMUEL 3:33-34)

E também...

[...]Não é aquele acerca de quem CANTAVAM em suas danças:

"Saul abateu milhares,
E Davi suas dezenas de milhares?"1SAMUEL 21:11


Façamos uma análise dessas canções:

-Elas não foram feitas com o propósito de adorar a Deus.
-Elas não foram feitas com o propósito de divulgar o judaímo/cristianismo
-Elas foram feitas apenas com o propósito de mostrar os sentimentos de seus autores.

POrtanto, a única conclusão a que consigo chegar é que são canções SECULARES! O que vocês acham?

Aliás, no livro de Cantares, os cânticos são até bem eróticos! E que diga-se de passagem nada tem a ver com Cristo e a Igreja, ou algo parecido com isso! É um livro dedicado ao romance de um homem e uma mulher, comum, igual a qualquer um de nós!

Confesso nunca ter dado a devida atenção a este livro, mas "Cantares" é realmente muito interessante (e, acredite, tem muitos "cristãos" que JULGAM o livro!).
A razão porque ele é tão pouco lido nada tem a ver com sua profundidade ou complexidade, pois, como em toda genuína sabedoria, o que é verdadeiro se faz entender com simplicidade. Portanto, não são as dificuldades de compreensão que impedem a Leitura, a aceitação e vivência proposta por Deus em Sua Palavra no livro atribuído a Salomão. O que dificulta é justamente o poder esmagador de sua simplicidade baseada na observação da História, tal qual ela se mostra aos olhos, sentidos e percepções humanos. E entre essas observações, aparece de modo esmagador o desmantelamento de todas as fabricações de causa e efeito criadas pelos amigos de Jó. No Eclesiastes a vida é como ela é: sem tentativa de abençoar a inegabilidade da Queda dos Humanos no Planeta Terra. A outra razão da não apreciação do Eclesiastes é que ele não fala abertamente da eternidade—no máximo diz que o espírito volta a Deus, que o deu—, não fala nem do céu e nem do inferno; e seca a vida aqui, na arena das competições, dos julgamentos, dos esforços inúteis, das jactâncias idiotas, dos sucessos imerecidos, dos insucessos injustos, dos poderosos insensatos, dos sábios desprezados, dos ricos sem apetite, dos ricos estéreis, dos justos esquecidos, dos esnobes afamados, dos governadores cercados de puxa-sacos incompetentes, dos bens materiais que não promovem nem paz nem sono, das vitórias logo esquecidas, das alegrias alienantes, das tristezas que melhoram a alma, dos afazeres que nada mais são que vaidade e correr atrás do vento. Por esta razão o livro de Eclesiastes é insuportável, ele é histórico demais e realista demais. Nele não há milagres. Seu grande milagre é o discernimento de como a vida é, sem os auto-enganos aos quais nos entregamos a fim de diminuir a nossa dor acerca dos esmagadores fatos da existência humana na Terra. Precisamos, todavia, le-lo, pois sem a percepção de como a vida é, jamais “cai a fixa” e, enquanto a fixa não cair, não mergulhamos jamais no mundo da Graça e da Providência de Deus.

Em outras palavras, as passagens e livros acima citados, nada tinham a ver com exaltação e louvor a Deus, mas abordavam outros assuntos e temas, alguns de muito interesse e importância para nossa vida carnal, social, secular e, em alguns pontos, até espiritual.

Julgar alguém, uma música ou um texto porque tal cor, tal estilo, tal mensagem não lhe agrada, não tira o mérito e a contribuição de tal pessoa ou coisa para uma vida mais sábia Seria o mesmo que viver na época de Jesus e julgá-lo por ser pobre, vestir roupa surrada e quebrar todos os stigmas e costumes da igreja. Você certamente o chamaria de louco e herege. O mesmo acontece hoje. As pessoas deturparam Jesus e a sua mensagem e a transformaram numa concha de retalhos de pura conveniência.

Por que as pessoas complicam o óbvio e o simples? Porque é demasiado intelectual e certo demais para a mente primitiva delas.

Música do Mundo e a Graça Comum

Talvez por ignorância, parte dos evangélicos em nome de Deus dicotomizaram a existência dualizando o mundo. Infelizmente fundamentados numa pseudo-espiritualidade, um número imensurável de cristãos tem ao longo dos anos avaliado como profano e imoral tudo aquilo que não brota dos arraiais evangélicos. Para estes, quem ouve musica do mundo ou vai ao teatro assistir uma peça, cede às tentações do diabo. Segundo esta perspectiva, a arte, a cultura e a música secular foram “divinamente satanizadas”.

Bom, antes que seja apedrejado pelos religiosos de plantão, é importante salientar de que Deus estabeleceu como ordem a graça comum. E que esta é a fonte de toda, cultura, e virtude comum que encontramos entre os homens. Em outras palavras isto significa que Deus em sua infinita graça fez com que o sol nascesse sobre o justo e o injusto, e mandasse chuva sobre o bom e o mau. Entre as bênçãos mais comuns que devem ser atribuídas a esta fonte, podemos enumerar a saúde, a prosperidade material, a inteligência em geral, os talentos para a arte, música, oratória, literatura, arquitetura, comércio, invenções e etc.

Caro leitor, isto posto, eu louvo a Deus pela Graça comum! Como disse o pastor Marcio de Souza em seu blog, é absolutamente impossível negar a ação de Deus entre os homens ao ouvir clássicos da música como One do U2, ou Miss Sarajevo onde Luciano Pavarotti leva qualquer um às lágrimas com sua participação especial.

Eu particularmente sou tocado com a musicalidade de Chico Buarque de Holanda, com as letras de Jobim e Vinicius, com o ritmo da bossa nova, com a brasilidade de Gonzaguinha, Com as letras de Renato Russo, com a inteligência do Lenine, com o doce gingado do baião nordestino, com swing do Tim Maia, com a voz de Frank Sinatra, com a arte do Police, U2 e Dire Straits e tantos outros mais.

Meu amigo, não consigo ver deteminadas menifestações musicais ou culturais como satânicas ou malignas, antes pelo contrário, a multiforme manifestação cultural no ser humano, aponta diretamente para um Deus generoso que é absolutamente apaixonado pela arte, música e cultura.

Louvado seja o Senhor pela graça comum!


***
Renato Vargens é pastor da Igreja Cristã da Aliança, escritor, conferencista e colaborador do Púlpito Cristão
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