Tem gente que gosta de chiqueiro



Eu e minha mãe estávamos ontem de manhã passando perto de casas de vizinhos nossos e lá estava uma fossa estourada. Aqui em Olinda, esgoto é algo raro, o nome é outro: FOSSA. E fossas quando entopem, começam a se espalhar e estourar as pistas de asfalto. Minha mãe comentou que não entendia por que ninguém se mobilizava lá pra denunciar aquele absurdo, só porque a rua iria ser totalmente arrebentada pra poder reformar a fossa. Eu respondi rapidamente:

"Mãe, tem gente que é como porco: gosta de viver no chiqueiro"

Na mesma hora veio uma reflexão que compartilhei com minha mãe. Tem gente que realmente se acostumou a viver no chiqueiro do pecado. Ou no chiqueiro das igrejas que só pregam facilidades. Ou no chiqueiro da religiosidade fingida. Ou no chiqueiro da ganância e do orgulho. Não estão dispostos a querer o toque do Senhor que restaura nossas vidas. Acham muito custoso. Usam desculpas como "não olhe meu argueiro", "todo mundo é falho", "a carne é fraca", "Deus entende" e permanecem como o Apóstolo Pedro falou em II Pedro 2:22b "a porca lavada volta a revolver-se na lama". Há pessoas que realmente gostam de comer lixo, e não há nada que possamos fazer pra dizer a elas que elas estão se matando. Só orar mesmo.

Que Deus tenha misericórdia dessas pessoas que realmente preferem viver no lixo do que viver de acordo com a Palavra Viva de Deus. E que não viremos nós uma dessas pessoas, que têm medo do tratamento de Deus e preferem se conformar com fossas escorrendo e sujando tudo em nossas almas.

Publicado originalmente por mim no WebEvangelista.

Um Deus descontrolado?


Imagem: Capa do álbum "Ram It Down" do Judas Priest.

Ontem e e minha mãe fomos conferir um culto numa igreja de amigos meus. Ficamos extremamente abismados com o que vimos. Nós, acostumados a ouvir palavras duras, sérias, pregações bem estruturadas e com lógica extrema, ficamos reféns de uma palavra sem pé nem cabeça, mal estruturada e completamente fora de contexto. O pior foi ouvir da boca do pastor a seguinte abobrinha: Deus NÃO está no controle de tudo.

Um absurdo sem tamanho. O pastor lá disse sem medo de errar (e miseravelmente errando) que Deus NÃO era o responsável por terromotos, vulcões e toda sorte de desastres da natureza, mesmo o próprio Cristo prevendo tudo isso anos atrás. Absurdo completo!

Me espanta ver que realmente o Gondinismo está se alastrando até em pastores que talvez nem acessem internet ou mesmo leiam alguma coisa do Richard Gordinho. É algo que me espanta, cada vez mais a autoridade de Cristo tem sido jogada no lixo. Cada dia mais os vasos querem dizer pro Oleiro "por que nos fizesse assim?". Que Deus tenha misericórdia de nós e nos livre dessa incerteza terrível colocada nos nossos corações por falsos profetas que estão transformando Deus num ser relativo e propenso à mudanças e falhas. Antes que chegue o dia em que ele precise espancar esse mundo com toda sua força e mostre que Ele manda sim aqui, independente do que pensemos a respeito disso.

Saudade o caramba!

Já faz um bom tempo em que tenho reparado nas letras de algumas canções, de certos ministérios de louvor, dentre os quais, um ou dois são bem conhecidos da comunidade cristã brasileira. Nisso eu puxei meu bom e (não tão) velho pai: gosto de analisar as letras, e meditar nas verdades (ou não tão verdades assim) que elas me ministram.

De uns tempos para cá, reparo que é praxe dizer "tenho saudade", "sinto saudade", "te quero cada dia mais" e por aê vai. Claro, não sou o dono da verdade (e nem quero ser), e muito menos estou aqui pra questionar os reais sentimentos de quem compôs/cantou. Afinal, cada um passa a mensagem que julga ser a 'certa'. Mas o m
eu intuito é o de mostrar algo que, infelizmente, é patente: SAUDADE O CARAMBA!

Poxa, Gabriel! Porque você está dizendo isso? Bom, creio que saudade se traduz num desejo tão forte de ver alguém de novo, que implica em fazer o possível (e o impossível tbm) para que isso se concretize. Se a igreja diz ter saudade do seu Senhor, devia estar fazendo de tudo e mais um pouco, pra que isso aconteça o mais rápido possível. Mas não é isso o que vemos em nossos dias. Na realidade, se a igreja tivesse mesmo essa alegada saudade, ela:


* Olharia mais para o seu próximo, ao invés do próprio umbigo;

* Se uniria mais, ao invés de se engajar em batalhas fratricidas;

* Se preocuparia com o que realmente interessa: almas, vidas. Não com um templo maior e mais "excelente" que o da concorrência;

* Pregaria o Evangelho puro e simples, ao invés deste evangelho mercantilista e pueril, da "prosperidade", do "fazei prova de Deus!" e da barganha travestida de sacrifício;

* Lembraria que é necessário passar por tribulações para alcançar o Reino dos Céus (Atos 14:22), ao invés de exigir do seu Rei uma vida regalada, ditosa e milionária. Uma vida assim 'com sabor de mel';

* Faria o que deixou de fazer há muito tempo: pregar as Boas-Novas, combater os falsos ensinos, os falsos profetas, saquear o inferno, libertar aqueles que estão presos, curar os enfermos... Enfim, tudo aquilo que Jesus, em pessoa, nos comissionou a fazer.


Então, quer dizer que você não sente saudades, Gabriel? Pra falar a verdade, eu sinto/tenho saudade sim. Tenho saudade do tempo em que tudo era mais verdadeiro, mais simples. Do tempo em que os nossos sentimentos para com o nosso Criador eram mais sinceros, mais puros. De fato, tenho saudades dos meus, dos seus, dos nossos humildes começos.

O bom é saber que ainda há esperança (Lamentações 3:21), saber que ainda existe o bom caminho, e que o mesmo pode ser trilhado. Basta querer.


Que Deus te abençoe!

Apagando o histórico


O Mozilla Firefox é um belo amigo dos pecadores que vivem em masturbação. É muito fácil através dele esconder de todo mundo as páginas da Web que você anda entrando. Por ele você pode simplesmente apagar o histórico de páginas acessadas e ai automaticamente é como se você JAMAIS tivesse acessado tal página.

Não se se você sabe. Mas no Céu esse dispositivo inexiste.

Os arquivos sobre o que fazemos aqui na Terra estão bem arquivadinhos no céu. Ao contrário dos episódios perdidos do Chaves, esses arquivos Deus sabe MUITO BEM onde estão arquivados e pode mostrá-los quando Ele quiser.

Ou paramos de viver no pecado, ou estaremos aumentando o volume de "vírus" infectando nossos arquivos celestiais. E definitivamente não é bom ter um monte de arquivos corrompidos lá em cima não!

Detesto Crente!



Com certeza, você já ouviu essa frase acima, ou alguma parecida. Com certeza, foi da boca de um parente, ou um conhecido. Se não foi, você deve ter escutado dentro do ônibus, ou no setor/sala da firma trabalha, numa rodinha em sua escola/faculdade... É um preço que se paga por se ter uma visibilidade em nossos dias. Claro, é um rótulo generalista, que não se aplica a todos. Mas tal afirmação tem base em algumas características que, convenhamos, são bastante irritantes.

Por exemplo: todo mundo deve ter um amigo, ou conhecido, do tipo 'super-crente.' Até flutua, de tão 'espiritual', que é. Pra esse sujeito, não tem tempo ruim. O sangue de Jesus purifica todo o pecado, paga as contas atrasadas, e faz com que chegue à tempo no serviço, mesmo tendo saído de casa 20 minutos atrasado. Um colosso de santidade, jejua que é uma beleza. Até emagrece com isso, ô glória! O céu pode estar caindo, mas a fé dele é uma rocha. Pra que preocupar com o aluguel, compra do mês? O importante é navegar no oceano do Espírito. Shuuuuu!

Tem também o crente 'chato.' Ah, esse com certeza é o mais famoso. Ninguém fala de futebol perto do cara, porque ele vai soltar a piadinha infame de que 'Jesus não curtia futebol.' Aliás, ninguém suporta CONVERSAR com o sujeito, porque ele só fala de Jesus. Qualquer coisa é menos importante. Trabalhar é menos importante do que 'evangelizar'. Evangelizar, no caso, é um eufemismo. O sujeito empurra o Evangelho goela abaixo. E se você disser 'não me interessa' para ele, ai de ti, filisteu! Você corre o risco de ir parar na lista dos infiéis que arderão no fogo do inferno! Sua vida será pesada na balança, e Deus te condenará, sem dó nem piedade. Argh!

Acho que o mais famoso é o 'crentão.' O dicionário de evangeliquês ambulante. Termos como 'vaso', 'varão', 'benção', 'misericórdia!', 'o sangue de Jesus tem poder!' são os mais comuns. Tem todos os versículos da Bíblia decorados na ponta da língua. Pra qualquer situação. Sujeito de oração, fé e poder. Isso é até legal. Chega a ser 'engraçadinho', admito. Mas o Evangelho não serve pra te fazer 'ser legal'. E assim, se gera mais um personagem folclórico, no panteão dos 'crentes.'

Panteão esse que conta também com o crente gladiador (tá sempre lutando contra as feras e bestas da vida), o crente fanfarrão (tudo é alegria, enquanto a maré tá boa), o crente depressivo ('ah irmão... É muita prova, to passando pelo estreito, mas eu sei que o Senhor está comigo...) e por ai vai. Fora os comportamentos. Muitos são um exemplo dentro das 4 paredes da congregação. Mas em casa, no trabalho e em outros círculos sociais, são um purgante. É crente que fala mal do patrão, que xinga no trânsito, que não pede licença: empurra quem estiver na frente. É crente que inveja a roupa do irmão, que bloqueia o carro do próximo no estacionamento da igreja, que 'apunhala' o pastor pelas costas com as palavras. Crente dos bons vê demônio em tudo. É pomba-gira aqui, macumba ali, mensagem subliminar em grampo de cabelo... Um sincretismo gospel que cansa. Que faz mesmo o crente ser detestável.

E o que eu percebo com tudo isso? Que eu detesto crente. Ô, raça!

E - pasmem! - que sou tão crente quanto os crentes que citei.

Porque? Paulo uma vez disse: 'Sede meus imitadores, como eu também de Cristo.' (I Coríntios 11.1). Entendo a questão de 'ser imitador' da seguinte forma: 'transpareçam a Cristo, assim como eu O transpareço. Ser um discípulo(a) implica não em ser uma imitação, um simulacro. Mas sim um invólucro, um recipiente a ser preenchido com a vida e presença de Jesus. Como diria um velho chavão: 'mais de Ti, e menos de mim.' Eu corrigiria essa frase, da seguinte forma: 'TUDO de Ti, e NADA de mim.' Claro, nenhum de nós é capaz de ser tão ascético assim, graças a nossa malfadada natureza humana, limitada e cheia de falhas. Mas o convite de Jesus é para viver com Ele, seguindo Seus ensinamentos. Quem segue tais ensinamentos, alcança uma vida diferente de qualquer outra. Uma vida que vale a pena ser vivida.

Uma vez, me disseram: 'meu, você é crente demais!' E tive que concordar com a afirmação. Pior do que ser insípido, é ser 'saboroso' em demasia. E tempero demais enjoa. Precisamos ser, na verdade, simples e autênticos. Estamos aqui para dar um sabor diferente à vida das pessoas, e fazer com que essas pessoas queiram mais de Cristo, a ponto de não se sentirem satisfeitas. Jesus não nos chamou para sermos crentes, protestantes, evangélicos. Jesus nos chamou para sermos Seus discípulos e amigos. Sermos como Ele é. Isso é o que fará a diferença na vida das pessoas e cumprirá o bom propósito do Senhor: ter uma família. Não uma família de crentes. Mas uma família, de muitos filhos, semelhantes a Jesus, para a glória de Deus. Amém.


Que Deus te abençoe!

Dez Coisas Que Odeio Nesta Igreja

A lista abaixo relacionada é direcionada à igreja institucional, à igreja empresarial, ao clube de entretenimento, assim falsificada e vendida ao poder temporal. Não me refiro absolutamente à igreja verdadeira, ao remanescente fiel que muitas vezes está contido nesta igreja travestida dos nossos dias.

O que eu odeio em ti igreja dos nossos tempos, que virou um sistema religioso?

1. A TUA PRETENSÃO OSTENSIVA de tu te veres superior a tudo e a todos, e com esse orgulho besta, deixas de ser reconhecida como voz de Deus e agência do Reino no mundo. Ao contrário, deverias afastar para bem longe dessa vaidade luciferiana e cair em si, voltando a servir humildemente ao mundo ao qual foste enviada.

2.QUANDO INFLEXÍVEL, IMPÕES O DETESTÁVEL LEGALISMO COMO FORMA DE CAMINHADA CRISTÃ com regas insuportáveis que mantém teus membros eternamente cativos a infantilidade na fé, ao invés de conduzi-los à maturidade cristã que alcança a essencial liberdade consciente e anda maduramente nas pegadas de Jesus de Nazaré.

3. A TUA CEGUEIRA REDUCIONISTA que não discerne claramente o Reino além de tuas limitadas fronteiras, expandindo a visão para ver e aceitar outras formas de expressão, de serviço cristão, de culto e de obras quie também glorificam a Deus e contribuem para a expansão do Reino na Terra.

4. TUA FORMA DE JULGAR SUMARIAMENTE as pessoas, se são merecedoras do céu ou do inferno, como se coubesse a ti essa prerrogativa divina de seleção. Deverias tu saber que esse é uma ação exclusiva de Deus.

5. TUA DISCIPLINA CORRETIVA que sempre exclui e joga fora todo aquele que desgraçadamente tropeça por algum motivo, levando invariavelmente o "disciplinado" ao abandono, e ferido a morrer a míngua.

6. A TUA FORMA ANTIBÍBLICA DE EVANGELIZAR, definindo prazo de mudança para as pessoas "aceitarem Jesus", exigindo uma conversão urgente e superficial baseada na adequação compulsória às regras de teus usos e costumes, e não na radical soberana transformação do Espírito Santo, de dentro para fora e no tempo livre de Deus.

7. A TUA VISÃO MISSIONÁRIA/EVANGELÍSTICA DISTORCIDA em que em nome do "ide" retira as pessoas de suas áreas de convivência na sociedade onde exerciam posições estratégicas para alcançar seus semelhantes, para mantê-los circunscritos a área do templo, transformando-os em pessoas inativas ou em obreiros alienados que desconhecem o que se passa no mundo que os rodeiam.

8. O TEU ABUSO DE PODER arrastando milhares de PESSOAS SINCERAS, frágeis, crédulas, simplórias, despreparadas e desavisadas à exaustão, ao esgotamento, ao sofrimento, à decepção, e a se sentirem absolutamente usurpadas fisicamente, emocionalmente, materialmente e espiritualmente. Essas pobres vítimas do teu poder abusivo se tornam amargas e refratárias para o Evangelho para sempre, fechadas para qualquer possibilidade de pensarem em Deus ou em coisas relacionadas a ti.

9. A FORMA IMORAL COM QUE TEUS LÍDERES LIDAM COM AS FINANÇAS, manipulando o dinheiro que entra em teus cofres de forma irresponsável, desonesta, revelando que são subjulgados pelo deus Mamom. Reproduzes pastores que amam posição, poder e o dinheiro, tornando-os cheios de avareza e de ganância.ISSO TEM CAUSADO GRANDES ESCÂNDALOS E DANOS IRREVERSÍVEIS PARA O EVANGELHO,E TU ÉS DIRETAMENTE RESPOSÁVEL POR ISSO!

10. E por último, odeio quando MENTES, ASSEVARIANDO QUE FORA DE TI, AS PESSOAS NÃO PODEM SOBREVIVER. Saiba que existem milhõiesde pessoas que nunca adentraram em teus átrios e mesmo assim oram, têm temor, discernimento, maturidade, ética, moral e dignidade, muitas vezes, mais apurados que teus pobres membros pretensiosos.

Sobretudo, há uma forma difícil, dolorida, mas possível, que pode mudar radicalmente esse quado sombrio: TENS QUE PASSAR PELO PORTAL DO ARREPENDIMENTO. Como diria Jesus, lembra-te de onde caíste e arrepende-te...Ap.2:5

Obs: Quero agradecer ao Calebe da Tijolinho por ter me dado esse papel, embora eu não sei quem escreveu esse manifesto :P

Oração: O que? Por que? Como?

“A pergunta é: Quanto dessa fé persistente o Filho do Homem vai encontrar na terra quando voltar.”


É impressão minha ou está se tornando comum hoje em dia dizer que não é preciso orar, que oração é tudo que fazemos, o tempo todo? É impressão minha ou a oração está desaparecendo da experiência cristã, principalmente entre os cristãos pensantes ou reflexivos?


Duas décadas atrás, Caio Fábio já sinalizava este fenômeno, chamando esta geração de “uma geração que desaprendeu a orar” em seu livro Oração Para Viver e Morrer. As causas para isto, apontadas por ele na época, eram: a sociedade moderna, a miséria de muitos, a dicotomia orar ou fazer, a teologia liberal e o pentecostalismo sem piedade. 

Se ele estava certo (e, em minha opinião, estava), não é nenhuma surpresa que a oração esteja desaparecendo rapidamente da prática cristã atual.


Uma das razões que ouço pela qual pessoas se recusam a orar é que, segundo elas, a oração se tornou um ritual religioso. E esta é a geração que tem alergia a rituais e total desprezo por religiosidade. Toda a nossa vida deve ser uma oração, dizem eles.


É verdade que o apóstolo Paulo falou sobre orar o tempo todo em espírito e certamente muito do que se chama de oração não reflete o ensinamento bíblico. Mas é preciso ser muito ignorante da Bíblia (ou rejeitá-la por completo) para assumir uma postura tão reducionista em relação a oração.


Osmar Ludovido em Meditatio reconhece a tensão e equilíbrio que existe entre a oração privada e pública, entre a vida comum na igreja e a vida interior do cristão. Segundo ele, “a ênfase e valorização de apenas um desses aspectos em detrimento do outro conduz, inevitavelmente, ao empobrecimento da vida cristã.” Ele diz: “Manter comunhão e orar com a igreja nos ajuda a crescer na fé, na esperança e no amor, mas nada substitui a necessidade irresistível do recolhimento para dialogar com Cristo na intimidade do coração.”




Jesus e a oração


Basta olhar para a vida de Jesus para entender o que é oração e como deve ser uma vida de oração. Jesus orava, muitas vezes sozinho, separado da agitação do cotidiano, outras vezes em público, na presença de seus discípulos e até das multidões que o seguiam.


Quando os discípulos vieram a Jesus e pediram-lhe: “Mestre, ensina-nos a orar”, Jesus não respondeu-lhes dizendo: “Orar? Pra que? Vocês já estão orando quando estão conversando uns com os outros, quando estão apreciando a natureza, quando estão tirando uma soneca…” Em vez disso, Jesus deu-lhes instruções bem claras sobre como orar. Por meio de sua vida e seus ensinamentos, Jesus nos orienta quanto ao conteúdo de nossas orações, quanto a atitude com que devemos orar e com que frequência orar. Jesus nos manda orar (sim, ele dá uma ordem!). Dizer que está seguindo Jesus e, ao mesmo tempo, não se dedicar a prática da oração é um contra-senso.


Mas o que é oração? Por que orar? Como orar?


Oração é comunicação com Deus


O monge beneditino alemão Anselm Grün diz que a oração é um diálogo entre o homem e Deus. Grün fala da oração como um encontro: com Deus, consigo mesmo e com o próximo. Gerardus van der Leeuw, teólogo holandês, diz que a oração é essencialmente um diálogo. Ambos parecem estar fazendo eco a Clemente de Alexandria que disse: “orar é manter companhia de Deus.”


Em seu livro sobre oração, Caio Fábio diz que a oração é “o único meio pelo qual se pode genuinamente desenvolver uma sadia visão de Deus, da Igreja, do mundo e da missão do povo de Deus na história. (…) Sem oração, a vivência da fé não passa de reflexão banal ou presunçosa ação. (…) A oração é a forma mais dramática de manifestar o desejo pela presença de Deus na vida. (…) A oração é o mais forte instrumento de afirmação do Ser. Quem ora, fala com o Ser dos seres e com Aquele que é a origem de todos os seres que sabem que existem.”


Se orar é tudo isso, por que não oramos, ou oramos tão pouco?


Talvez porque, como diz James Houston em Orar Com Deus, “se achamos difícil formar relacionamentos duradouros com nossos semelhantes, acharemos muito mais difícil nos relacionarmos em qualquer profundidade com Deus, ao qual não podemos ver.”





Se Deus sabe tudo, por que orar?


A Bíblia apresenta Deus como conhecedor de todas as coisas. A despeito do que especulam certos teólogos modernos, é impossível ler a Bíblia e não perceber Deus como Aquele que sabe tudo, diante de Quem não existe nada encoberto. Anselm Grün reconhece esta tensão entre o conhecimento de Deus e a oração ao dizer: “Deus certamente sabe tudo e não tem necessidade da minha oração, mas eu necessito dela.”


Caio Fábio diz: “Deve-se orar porque mediante sua prática o espírito humano explícita de maneira verbal o seu desejo de Deus. Pela oração a alma confessa sua fome da divindade. Pela oração o Ser humano diz a Deus o quanto o Criador e Redentor é objeto da satisfação dos anelos mais profundos da criatura redimida e consciente do seu criador.”



Deus não precisa da minha oração. Sou eu quem precisa dela. A oração me aproxima de Deus, revela minha dependência, minha fome e sede por Sua vontade, seu Reino, sua pessoa. A oração muda principalmente a mim – minha visão de Deus, do próximo, das circunstâncias. Esta foi a resposta dada por C.S. Lewis quando lhe questionaram sobre o por que ele orava em favor de sua esposa com câncer.


Richard Foster, que é famoso pelos seus livros sobre espiritualidade, diz que “a oração é a principal de todas as disciplinas espirituais” pois ela “nos leva ao agir mais profundo e elevado do espírito humano.” Segundo ele, “orar é mudar” e “a oração é a principal via usada por Deus para nos transformar”. Para Anselm Grün, mesmo a intercessão, a oração pelo próximo, transforma em primeiro lugar a mim mesmo. “Vejo o outro com novos olhos, não mais a partir da minha raiva ou da minha desilusão, e sim a partir de Deus.” A oração “torna possível uma nova comunhão.”





Como orar?


Tendo explorado o tema da oração como um encontro com Deus que, mesmo conhecendo tudo a nosso respeito, nos convida a falar com Ele para que sejamos transformados no processo, resta-nos considerar algumas sugestões de como orar, baseado na narrativa de Lucas 18.


Primeiro, proponho que devemos orar como alguém que entende sua total dependência de Deus. Os personagens na narrativa de Lucas 18 são totalmente dependentes de justiça (viúva), perdão (pecador), amor e cuidado (criança) e direção (cego). A oração é uma forma de confissão de nossa insuficiência, de nossa limitação, de nossa incapacidade de lidar com os dramas e mistérios da vida.


Segundo, proponho que nossa oração deva ser caracterizada pela insistência (perseverança) da viúva, a contrição do pecador, a inocência da criança (sem formalismos) e a fé do cego.


Terceiro, proponho que a oração deve ser acompanha das Escrituras. P. T. Forsyth disse que “o estudo da Bíblia e a oração caminham de mãos dadas. O que recebemos pela mensagem da Bíblia, devolvemos a ele com interesse em oração. A oração é para nós, paradoxalmente, uma dádiva e uma conquista, uma graça e um dever.” Precisamos recuperar a arte de aprender a orar com os Salmos, o livro de oração usado pelo próprio Senhor Jesus.


Finalmente, concluo com as palavras de Caio Fábio: “Coincidentemente, os cristãos mais maduros que eu conheço são aqueles que mais oram. De fato, penso que há uma coincidência entre oração e maturidade humana. Ou seja: uma incide sobre a outra. O ser humano se torna mais humano quanto mais ele contemple o Criador.”


(Sermão pregado por Sandro Baggio no Projeto 242 em 01 de Maio de 2011)


De Projeto 242

Destruindo a mentira (ou um sumário de como mortificar o pecado)

Extraí dos arquivos do Voltemos Ao evangelho esta pregação de Tim Conway, que tem por título "Um sumário de como mortificar o pecado". A mensagem que mais me chamou atenção foi uma das coisas que o Tim Conway fala: "Todo pecado é uma mentira. Pecar é acreditar numa mentira!". Então, pelo Espírito de Deus, vamos destruir essa mentira que ronda nossas vidas. Aproveitem a mensagem!

Parte 1:



Parte 2:



Parte 3:

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