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"Mulher do Patrão"


Na invasão do Complexo do Alemão em 2010, uma das surpresas foi a encontrada do pôster acima, da esposa (?) de um dos chefões do tráfico da favela, Fabiano Atanázio da Silva, o "FB". Um enorme pôster, com fotos dela e os dizeres "Não olha, nem mexe, sabe quem é? É mulher do chefe!" Esse verso era de um funk composto provavelmente pelo MC Max em homenagem a ela mesma.

Se já não bastasse essa moça se achar por ser de fato mulher de um "patrão" (de um chefe do tráfico) e ainda por cima ser como um troféu intocável (quem tocar pode até morrer!), a ideia do funk carioca se espalhou pelo Brasil. Aqui em Pernambuco logo o insidioso MC Sheldon (famoso por diversas músicas pedofílicas) fez um brega usando essas expressões, brega esse que logo virou nacional, pois como tudo que não presta atualmente faz sucesso e alguém quer se escalar nesse sucesso, logo o grupo de forró Garota Safada fez a sua versão, espalhando essa nojeira Brasil afora. E sim, muita gente, incluindo aí muitas, mais MUITAS mulheres, AMAM ser comparadas a mulheres de traficantes... que coisa heim...

O que está havendo com a sociedade? Eu ainda sou da época em que mulheres em sua grande maioria davam valor em serem chamadas de "flor", "linda", "amor", "amada", entre outros adjetivos preciosos e metáforas maravilhosas, e chamar uma delas de "gatinha" numa música ainda era considerado ofensivo. A partir dos anos 90, com a onda do axé music, parece que os valores foram sendo consumidos aos poucos. Logo viria a segunda leva do funk carioca, com suas músicas sobre "potrancas" e "popozudas", e daí pra baixaria total de hoje em dia bastaram 10 anos. E o pior: a sociedade acha LINDO tudo isso. As coisas que fazem sucesso só fazem porque tem quem dê mídia (Capitão Óbvio, rsrs), e é espantoso que as pessoas não percebam o modo de vida que elas celebram a cada dia com suas canções, menosprezando a si mesmas e cuspindo na própria Criação de Deus.

Será que vale tanto a pena assim ser "a mulher do chefe, não olha nem mexe"?

E a sua liberdade? E a sua segurança? Teria você alguma paz real vivendo assim, amigona?

Que algum dia - nem sei se esse dia AINDA chegará - as pessoas possam realmente repensar os valores que estão construindo. Ou melhor... destruindo...

I Epístola de Paulo aos Brasileiros/Coríntios



Impressiono-me quando leio I Coríntios. Por um simples motivo: parece-me estar vendo um espelho da igreja brasileira. Se Paulo fosse apóstolo nos dias atuais, iria escrever não uma I Coríntios e sim uma I Brasileiros. Abusos doutrinários, dissensões, ganância, falta de amor verdadeiro e acobertamento de pecados, tudo isso se reproduz de maneira absurda nos tempos atuais.

Nesse post faremos um estudo aprofundado das características básicas da igreja brasileira que são localizadas na igreja de Corinto à época da referida carta.

1º) Dissensões  (I Co. 1:10-13; 3:1-4): A igreja chamada cristã no Brasil está sofrendo do mesmo mal dos tempos de Corinto, com as diversas lideranças e pior que isso, o tornar tais lideranças como fundamentos de sua fé no lugar de Cristo (I Co. 3:11). Defendem pastores como donos de toda a razão, mesmo eles ensinando coisas erradas e falhas (tornando-nos com isso piores que Corinto, que ao menos seguiam pastores que ensinavam a verdade). Afora os "mais espirituais", que queriam distância dos outros ao invés de exortá-los ao arrependimento, diziam somente "eu sou de Jesus" de maneira religiosa e sem amor algum.

Não devemos colocar nossa fé em fundamentos humanos, placas de igreja, se somos arminianos ou calvinistas, pré-milenistas, amilenistas ou pós-milenistas, se tocamos rock ou só música da harpa cristã ou se nossa igreja usa anágua ou não, isso não deve nos separar. Pior ainda é fundamentar nossa fé em ensinos perniciosos, como a Teologia da Prosperidade, a Teologia Liberal ou a Teologia Relacional. Temos que deixar de ser carnais, e nos tornar homens espirituais, que a tudo discernem (I Co. 2: 15).

2º) Ensinos humanos (I Co. 2: 1-7; 1: 17-25): Fugindo de tudo o que a Bíblia ensina sobre a Verdade do Evangelho, muitos homens se perdem em labirintos da sabedoria humana. Tentam colocar até mesmo justificativas de filósofos, cientistas e pesquisadores acima da Palavra de Deus. Quem lê o discurso de Ricardo Gondim acerca do tsunami no Japão vai perceber falhas tremendas de um homem que se deixou levar pelos "paradigmas das ciências sociais pós-modernas" segundo as palavras do próprio, que fugiu do conceito bíblico pra defender um deus impotente que ama demais os homens, mas nada pode fazer diante de tragédias.

Quando caímos no erro da teologia relacional (e não é muito difícil de acontecer, é só usar o discurso do "Deus entende porque eu fiz isso" para se justificar de um erro como algo "impossível de evitar") nós estamos dando lugar à nossa sabedoria humana. Do discurso anti-onipotência de Gondim às falácias de Silas Malafaia e Edir Macedo, entre outros, estamos rumo a autossuficiência humana em detrimento da soberania Divina de Sua eterna sabedoria e entendimento, verdadeiro guia para os que seguem a "loucura" de Deus, a loucura da salvação e da SOLA SCRIPTURA como fundamento da fé.

"Ninguém se engane a si mesmo: Se alguém dentre vós se tem por sábio nesse mundo, faça-se louco para ser sábio" (I Coríntios. 3: 18)

3º) "Desigrejamento" e autossuficiência (I Co. 4): Diversos cristãos hoje em dia ou simplesmente pararam de ir à igreja ou quando vão, ignoram os ensinamentos que são passados. A bem da verdade, muitas igrejas de fato cuspiram fora os ensinos puros do Senhor, mas ainda existem muitas igrejas sérias e verdadeiras, e muitos de nós ainda assim tornamos as mesmas como clubes sociais, em que vamos "bater ponto" e ir pra falar com nossos amiguinhos. Isso quando ainda vamos até o templo. Para que vocês tenham uma ideia, existe na minha própria congregação dois casos opostos. Um é de uma irmã que NÃO TEM NENHUMA DAS DUAS PERNAS, já é uma senhora avançada em idade e mesmo assim, ainda que de carona, sempre vai pra igreja. Houve uma época em que ela tinha uma das duas pernas e chegou a vir SOZINHA para a igreja, nós nos assustamos até pela atitude dela, arriscada, mas ela o fez por amor a Cristo. Bem ao contrário de uma outra, que mora a poucos metros de distância da igreja. Ela está de cama, de fato não tem condição alguma de se deslocar, entretanto o esposo dela está completamente são. Na casa tem vários parentes e empregados, mas ainda assim o homem se recusa a ir para a igreja. Vejam como as coisas são.

Muitas vezes desprezamos conselhos de líderes. Queremos viver "a independência do Evangelho", só que da maneira errada. Jesus colocou líderes para nos ajudarem na caminhada na fé. É claro que hoje em dia muitos líderes estão fugindo da realidade do Evangelho, mas é aí que Cristo nos deu Sua Palavra e o Espírito Santo para provarmos os espíritos. E também escolheu alguns como eu para denunciar abusos e erros que existam na igreja, para que todos nós cresçamos na fé e sigamos o Evangelho verdadeiro. Quem é verdadeiro dependente de Deus saberá reconhecer um líder real e irá respeitá-lo como tal. 

4º) Encobertamento/Aceitação do pecado (I Co. 5): O absurdo extremo de muitas vezes esconder o pecado de um líder ou de alguém importante dentro da igreja. Isso é clássico, e existe há tempos. Quantos líderes seguem incólumes mesmo após serem pegos em flagrante adultério, fornicação, roubo de ofertas e dízimos, entre outros erros dentro da igreja ou erros externos à ela. Mas, pior que a Igreja de Corinto, estamos em muitos momentos BEATIFICANDO o pecado. Igrejas que não vêem nenhum problema em seus liderados viverem em situação marital fornicária, jovens "ficando" por aí, líderes mulheres entrando de decote e microssaia na igreja, membros da igreja bebendo tudo que tiver etanol, entre outros. Isso sem contar as igrejas "inclusivas", que viraram mania por aí, não só aceitando como membros e até mesmo líderes pessoas homoafetivas, como até mesmo casando-as.

O acobertamento e, pior que ele, a aceitação do pecado como algo normal é INADMISSÍVEL para a saúde da igreja cristã. É absurdo e é um cuspe na face do mesmo Cristo que nos disse "se a vossa justiça não exceder a dos escribas e fariseus, nunca alcançarão o Reino dos Céus" (Mateus 5:20). Se virmos um irmão pecar, TEMOS que aconselhá-lo à mudança, e se o mesmo insistir após 2 ou 3 admoestações, devemos PUBLICAMENTE como líderes expô-lo como gentio, como ÍMPIO (Mateus 18: 15-17). Devemos nos posicionar contra os erros de líderes ou membros que estão vivendo em pecado ou ensinando erros (neste caso, temos que ser combativos e estar preparados para combater falsos mestres e calá-los).

"Porque, que tenho eu em julgar também os que estão de fora? Não julgais vós os que estão dentro? Mas DEUS julga os que estão DE FORA. Tirai, pois, dentre vós a esse iníquo." (I Co. 5: 13) 


5º) Litígios humanos (I Co. 6: 1-11): Assustadoramente diversos cristãos entram em litígios por motivos humanos. Negociatas, empréstimos, fofocas, diversas causas humanas tolas, as quais eu já expus um pouco do parecer de Paulo no primeiro tópico, mas que Paulo dá uma outra luz: perdão e arrependimento. Nem sempre o segundo ocorre (infelizmente) e em alguns casos leva-nos a tribunais humanos mesmo, mas o perdão deveria ser uma coisa normal de todos nós. Muitas vezes precisamos perder pra ganhar. Mas infelizmente a mágoa se tornou rainha nos corações de muitos de nós. Temos que destruir a mágoa e o orgulho em muitos momentos para que realmente vivamos como irmãos (Romanos 12: 18).

6º) Indecência (I Co. 11: 1-16): Antes que os sabichões venham a mim dizendo "mas isso é pra igreja de Corinto apenas", não vou aqui mandar nenhuma mulher usar véu ou homem cortar o cabelo (rsrsrs). O centro da questão é a decência e o pudor cristão. Naquela época, mulheres que não usavam véu eram tidas como prostitutas. Hoje em dia quem vai dizer isso da cantora cristã que usa calça "super acochada" e faz poses sensuais nos shows?  Peço de antemão perdão pelo link que vocês verão, e ainda vai ter quem me critique após ele (rsrsrs), mas isso meio que acontece nos templos também né? Irmãs com decotes NADA comportados, irmãozinhos achando que estão numa academia de ginástica, entre outras coisas tão indecentes quanto (as vezes você tá tão bem vestido e falando abobrinhas a torto...).

Isso é uma discussão antiga e eu não tou aqui querendo baixar a lei do anágua nem que as igrejas imponham doutrinas acerca de usos e costumes, mas um cristão e uma cristã sinceros irão vigiar tais coisas. Ou você acha lindo ficar "se agarrando" dentro do templo? Você pode achar MARAVILINDO, mas Jesus REPROVA!

7º) Desrespeito/Gula (I Co. 11: 17-34, com ênfase nos dois últimos versículos): Aqui não irei abordar a prática da Santa Ceia (essa aí em geral não há muitos problemas litúrgicos ou gerais nas igrejas evangélicas), mas de algo mais sutil: a gula. Casamentos, aniversários, festas da igreja e outras similares, todas viraram palco de um horrendo espetáculo feito por diversos crentes, que se empanturram de tanto comer, as vezes se deixarmos os irmãos fazerem o "self-service" eles irão pegar tanta comida que não vai dar pra todo mundo. Pior: as vezes não comem NEM A METADE, jogando o resto fora. Gula é um pecado sério. Não tem nada a ver com os sete pecados capitais, pois isso é crendice, mas é sim pecado e sério! (Provérbios 23: 3, 20-21)

"Mas, se alguém tiver fome, coma em casa, para que não vos ajunteis para condenação" (I Co. 11:34a)

8º) Abuso no uso dos dons espirituais (I Co. capítulos 12, 13 e 14): Três capítulos dedicados a falar do abuso no uso de dons. Acho que se fosse pra nossa igreja seriam uns 10 capítulos. Sabe I Co. 14: 26 ao 31? Pois é, esses versículos, base da doutrina dos dons espirituais que são usados PARA EDIFICAÇÃO de todos nós, não são seguidos. É um carnaval do babel de pessoas todas falando em línguas sem interpretação, um monte de profetadas sem nenhum julgamento bíblico, é um "shury canta" pra cá, um "eis que te digo" pra lá. Esse tópico, bastante extenso, irei abordar com mais cuidado e mais detalhadamente em um próximo estudo. Mas de antemão fica a lição de I Coríntios 14:26:

"Que fareis, pois, irmãos? Quando vos ajuntais, cada um de vós tem salmo, doutrina, revelação, língua, interpretação, tudo para edificação".

Que Deus nos ajude como Igreja sua a mudar esse quadro negro que pintamos.

(Texto atualizado após remoção de alguns links - em especial vídeos de cantores gospel que devem ter se sentido ofendidinhos, ou os fãs deles, sei lá rsrs)

O Mito (e a Moda) do Livre Pensamento


Existe uma contradição muito interessante na sociedade em que vivemos, digna de ser observada. Por algumas razões convencionou-se que o “livre pensamento” é um importante ideal a ser buscado, ao mesmo tempo em que se deve lutar contra o pensamento dogmatizado, o pensamento “limitado”. Razões para esta tendência não são difíceis de apontar. O ser humano anseia por liberdade, e nossa memória histórica nos ensina que experiências ditatoriais não são boas, e devem ser preteridas.

Agora, por mais contraditório que isto possa soar a princípio, qualquer pensamento verdadeiramente livre precisa ter alguns limites a fim de que seja um pensamento sadio. Um pensamento não limitado à lógica não é um bom pensamento, mesmo que seja livre. Eu diria de igual modo que um pensamento não limitado ao bom senso não é um bom pensamento, mesmo que livre. Pensamentos assim (se é que ainda podemos chamar de “pensamento” um movimento mental não limitado à lógica ou ao bom senso) são tão livres e anárquicos quanto um quarto bagunçado. Parece-me necessário alguns limites ao pensamento a fim de que ele seja mais do que livre, mas seja também organizado, concatenado, sóbrio, objetivo, prudente e muitos outros adjetivos que poderiam aqui ser citados.

Todos os adjetivos acima são importantes, mas curiosamente nenhum deles recebe tanto apoio popular quanto o “livre pensamento”. Se por um lado (o da praticidade) eu posso simplesmente denominar esta tendência de busca do “livre pensamento” como moda, por outro lado (o da conclusão após uma reflexão) eu também posso fazer o mesmo. Nos dias de hoje “livre pensamento” é pouco mais do que uma moda. É legal, é diferente, ser um “livre pensador”. Todo “livre pensador” se destaca dos demais “manipulados”, e em uma sociedade bombardeada diariamente com propagandas que afirmam que você precisa ser “único” (e que só será único se comprar aquele produto X), o ideal do “livre pensamento” como parte da busca pela individualidade tem um terreno fértil para se desenvolver.

Mas como tudo o que é moda, a moda do livre pensamento não apresenta muita profundidade sobre aquilo que comenta ou critica. O fato de um popularizador não rigoroso em seus estudos como Richard Dawkins ser herói destes “livres pensadores”, e o fato de milhares de adolescentezinhos revoltados repetirem algumas frases suas acreditando piamente, ao agirem assim, que estão passando por cima (como “vencedores”) de cerca de dois milênios de estudos filosóficos sobre o fenômeno religioso no mundo, é, por si só, uma evidência incontestável do meu ponto. Eu adoro perguntar a críticos da Bíblia (aqueles que alardeiam aos quatro cantos o rigor histórico a la Dan Brown) quantas vezes eles já a leram com objetividade (isto é, leram deixando suas paixões céticas de lado), e os resultados são bem engraçados, embora previsíveis.

Citei “adolescentezinhos” no parágrafo acima de propósito. Uma breve pesquisa em fóruns de discussão dos “livres pensadores” mostrará que a grande maioria dos participantes tem entre 12 e 18 anos. A grande massa desses “livres pensadores” é formada por nada mais do que adolescentes rebeldes que, como típico de sua rebeldia adolescente, simplesmente questionam sem nenhum tipo de reflexão ou profundidade tudo o que as pessoas “normais” tomam com apreço. Não é de se surpreender, afinal de contas, que a religião seja o grande alvo destes “livres pensadores”. Faça o mesmo teste citado a pouco sobre o perfil dos participantes de fóruns ateístas e se surpreenda com a quantidade de adolescentezinhos rebeldes que você encontrará lá.

As palavras abaixo foram escritas por um blogueiro ateu. (Seu blog, infelizmente, saiu do ar.)

O problema é que, hoje em dia, com o advento do orkut e da Maldita-Inclusão-Digital, abriu-se um leque de possibilidades para qualquer cretino que fique descontente com sua religião: se você se sente p*** com seu deus, basta virar ateu. Temos infinitos bastardos espalhados pela Internet que sequer sabem alguma coisa a respeito do Ateísmo (seus fundamentos filosófico-científicos, por exemplo) e que começam a dar apoio aos cretinos que ficam putos com suas religiões. O que isso dá? Merda, é claro! [...]

Um paupermens é um indivíduo completamente inútil: diz-se ateu quando, na realidade, a melhor definição para ele seria “adolescente revoltado”. Podemos notar isso ao vasculhar as enquetes orkuteanas sobre “Qual é sua faixa etária?”. Pelo menos 80% dos “ateus” respondem “Entre 14 e 17 anos”. E, para piorar, há os campeonatos sobre “Quem virou ateu mais cedo”: pessoas dizendo que se tornaram atéias aos 12 anos de idade através de “reflexão própria” e outros artifícios mais místicos do que racionais. Como se algum jovem de 12 anos estivesse preocupado com as profundas questões filosóficas que levam o mundo pro buraco a cada geração que passa.

Contudo a adolescência não é o principal motivo da falta de profundidade e de rigor no tal movimento do “livre pensamento”. Existem e sempre existiram adolescentes gênios. O problema está exatamente no fato do “livre pensamento” ser uma moda. A geração dos “livres pensadores” é a mesma “geração twitter” que não tem paciência para ler mais do que 4 ou 5 parágrafos sobre qualquer assunto (para os quais os 140 caracteres do twitter são o céu). Existe um pragmatismo danoso (pois também existe o bom pragmatismo) que dita que a leitura de um texto de um popularizador é suficiente para “refutar” (e como essa palavra é usada hoje em dia!) trabalhos acadêmicos rigorosos e profundos de centenas de páginas e que demandaram décadas de pesquisa.

Esta situação torna possível (e para os “livres pensadores”, louvável) que perguntas como as seguintes sejam tomadas como “refutações espetaculares” de que a crença em Deus é “irracional”: “Pode um ser onipotente criar uma pedra tão pesada que nem um ser onipotente pode levantar?”, “Pode um ser onisciente conhecer uma proposição que ele não saiba?”, “Quem criou o ser que não foi criado?”. (O fato das palavras “irracionalidade” e “falácia” serem despejadas sem nenhum cuidado de explicar o que está sendo tomado como “razão” ou “atividade racional”, ou sem nenhum conhecimento sobre as regras da lógica, é mais uma evidência de que simplesmente não há profundidade no movimento do “livre pensamento”.)

Mas, a fim de concluir esta reflexão, pois não é difícil observar a falta de profundidade do movimento do “livre pensamento”, é preciso voltar aos parágrafos iniciais. Não basta ao pensamento ser simplesmente “livre”, pois ele pode se libertar demais ao ponto de simplesmente deixar de ser pensamento. Existe uma categoria que encerra as coisas chamadas “pensamentos” e as diferencia das coisas chamadas “instintos”. Qualquer pensamento precisa de alguns limites (como o limite da lógica e do bom senso) para que continue a ser pensamento. E por mais que todos sejamos livres para levantar questões sobre quaisquer questões que quisermos (este texto é um exercício desta liberdade), acredito que falta à esta turminha do “livre pensamento” um pouco mais de respeito em relação a aqueles que têm estudado durante décadas as questões que eles pensam estar refutando com meras piadinhas e sarcasmo de 140 caracteres.

De Eliel Vieira


Cotidiano - O arado


Eu tenho um amigo. Um bom amigo. Um sujeito que aprendi a amar, como um 'irmão mais velho.' É um rapaz bastante querido pela minha família. E acredito que seja recíproco.

Além de ser uma pessoa talentosa na vida profissional, era um, digamos, 'bom cristão.' Bom marido, bom discipulador, bom conselheiro (ou aconselhador, como preferir), bom servo... Sabe, essas 'qualidades' presentes em boa parte das nossas congregações. Um espelho, um referencial a ser seguido.

Perdi a conta de quantas vezes o vi se desdobrando pelo ministério onde atuava. Fazia tudo o que estava ao seu alcance. Por várias vezes o acompanhei nessas atividades, vendo o desgaste ao qual ele se submetia. No caso, a 'correria' que era organizar algum evento, acampamento, confraternização de célula, evangelismo... Claro, nem tudo era festa. Já tivemos nossas discussões sobre diversas questões. Opiniões que divergiam, interpretações conflitantes, visões diferentes acerca de um mesmo tema.... Mas cá entre nós: quem nunca teve, né?

Mas aconteceu. Num momento em que tudo parecia bem.

O surto. A crise. O rompimento.

Hoje, ele vive uma vida 'diferente.' Jogou tudo pro alto. Faz o que quer. E se sente 'bem.' Se sente 'feliz.' Novos amigos, novas situações... Um novo 'contexto' em sua vida.

Claro, de uma certa forma, ele está no seu 'direito.' Mas, nesses anos de caminhada como discípulo de Jesus, tenho aprendido que tal 'direito' é uma verdadeira falácia, que destina a pessoa em questão a caminhos cada vez mais complicados e tortuosos. E me faz pensar em alguns fatores, que podem ser resumidos em duas verdades:


a) 'Ninguém, que lança mão do arado e olha para trás, é apto para o Reino de Deus.' (Jesus - Lc. 9:62)

Eu sei. Parece que estou 'pegando pesado.' Mas não consigo pensar em outra palavra que substitua essa verdade. É muito fácil agir como cristão, falar como cristão, parecer cristão. Mas está sendo muito fácil negociar a fé, mediante uma pressão, uma situação adversa, uma coação... A vida árdua de um arado está sendo substituída pela 'mecanização' do cristianismo pós-moderno, onde tudo é fácil, onde tudo é compreensível, onde tudo é válido. Claro, só não vale pecar, né?

Não, não é bem assim. Jesus deixou bem claro quais seriam os compromissos e desafios que teríamos ao seguí-Lo. Tribulações, perseguições, crises diversas. Frutos do mundo. Mas Ele venceu o mundo, e mediante essa vitória, podemos prosseguir rumo ao alvo, que é o próprio Jesus. Escolhas são situações que nos definem. Portanto, cabe a cada um de nós decidir se quer prosseguir na lida, ou desistir de arar.


b) 'O que a gente faz fala muito mais, do que só falar' (Fruto Sagrado)

Eu escutei a música e a frase em questão há um bom tempo atrás. Sabe uma daquelas frases/citações que ficam adormecidas na sua mente, mas que volta-e-meia latejam? Pois é. 'Viver o que se prega' está cada mais difícil. Se contradizer está cada vez mais fácil. Ainda mais em nossos dias. Mas a grande verdade é: o que estamos pregando provém dos céus? Ou é discurso nosso mesmo? Meu pai uma vez me ensinou: 'o que pregamos tem que fazer morada e diferença na nossa vida primeiro.' E isso faz toda a diferença, quando a mensagem lançada através das nossas vidas, encontra um receptáculo em outras vidas.

Um arado cego não serve para o trabalho, sob o risco de não se criar um sulco profundo o suficiente, para a semente ser plantada e germinar da maneira correta, longe das intempéries da natureza. E isso fica muito claro, quando vemos pessoas fraquejando em seus próprios ensinamentos. Claro que me incluo nessa. Afinal, não sou melhor que ninguém. Mas ser discípulo é viver da Verdade. Se alimentar da Verdade. Fazer com que ela seja o seu combustível, a 'arma' para alcançar outras pessoas para o Reino. De uma forma plena, fiel e digna de aceitação.

Em suma: viver o Evangelho é mais sério do que parece. Ser discípulo de Jesus é muito mais do que tocar, pregar, liderar um grupo, carregar as cadeiras do templo. Arar a terra do coração é realmente desafiador. O que você se dispõe a fazer?

Que Deus te abençõe!




P.S: se porventura você ler este texto, meu amigo, saiba: eu te amo muito. Minha família te ama muito. O Pai te ama mais do que o mundo inteiro. E esperamos, junto à Ele, o seu retorno à sua verdadeira casa e família. Por favor, não demore. A falta que você faz é muito grande.

Pastores São Homens: Fardos depositados nos ombros errados e a nossa grande culpa



Danilo Fernandes

Ao ouvir esta declaração corajosa do Rev. Caio Fábio sobre o episódio de “sua queda”, não tive como não olhar para o espelho e perceber em mim mesmo o erro tantas vezes cometido de descontextualizar a humanidade dos pastores com quem já convivi ou convivo hoje, seja de forma consciente ou inconsciente.

Esta declaração é um alerta para os perigos das desHUMANIZAÇÃO dos servos de Deus e a nossa tendência para nos gloriarmos em homens (1Co 3:21).

Se por um lado é importante e desejável ter no pastor um modelo humano do esforço de exercer o cristianismo de forma integral, por outro, é de uma covardia absurda exigir destes servos algo que a natureza comum e pecadora de todos nós homens nos nega por definição.

Contudo, agimos assim.

De uma forma ou de outra é minha responsabilidade, ainda que não intencional, se me permito seguir buscando modelos mais palatáveis de SER SANTO, diante da minha enorme culpa por não conseguir seguir o exemplo da Cruz, por mais que meu coração deseje, minha alma clame e o meu viver se volte para tal.

Caio e caio todos os dias de minha vida, me levanto na certeza do viver sob a Graça, mas em algum lugar o tentador me faz sentir indigno da Cruz.

Não me glorio na minha eleição. Percebo esta astúcia maligna sobre a vida de todos nós e não me deixo abater por isto, mas não nego a reincidência do erro. E pior: Estou certo de que uma das razões para a manutenção deste meu convívio sofrido com a culpa deriva do fato de, em muitas ocasiões, esta mesma culpa ser benção na minha vida, pois me faz olhar para a Cruz, quando eu insistia em olhar para mim.

Miserável eu sou com a minha culpa. Tanto mais tamanho pecador. Contudo, é justo da minha parte buscar alivio para esta culpa jogando este meu fardo nas costas de meu pastor? Ou não deveria eu jogar aos pés de QUEM realmente pode suportá-lo? (Mt 11:28-30)

Todos os dias somos surpreendidos por escândalos e mais escândalos envolvendo lideres. Crimes financeiros, falsas doutrinas, corrupção e estelionato religioso. Isto sem falar dos “crimes” comportamentais que parecem causar ainda mais embaraço entre a membresia.

Nestes momentos, somos levados a extrema decepção e alguns se desviam da igreja. Um erro causado por outro erro, do qual nós mesmos somos os maiores culpados.

E que fique claro que não falo do erro (escândalo financeiro, ético, etc.) per se, mas do NOSSO erro pessoal de: idolatrar; desHUMANIZAR; colocar em maior conta; os nossos amados líderes, esperando deles, como disse Caio Fábio, uma projeção de nosso ideal de ética, moral, fé, etc.

A responsabilidade de um pastor é imensa e este peso extra colocado pelas ovelhas é um fardo de injustiça!

Devemos lembrar que, no fim das contas, os nossos discipuladores são pecadores como nós. Estão em posição de nós ajudar e pastorear, mas são homens e falhos e, pior, são cobrados e testados em dobro.

Se isto não é nem de longe uma carta branca para que não se toque no ungido, coisa que poucos ainda acreditam, também não nos autoriza a dobrar a carga já pesada destes servos.

Um servo de Deus, que leva á sério o seu ministério e se faz presente na vida de suas ovelhas e de suas lutas e não se rende a estes modismos que fazem encher as igrejas está abraçando uma tarefa imensa, que somente a Graça e a eleição do Senhor podem justificar (e tornar possível).

Nestes meus 14 anos de Evangelho acompanhei a vida de muitos pastores, pastoras, missionários e missionárias que se levantam todos os dias para ser benção na vida de centenas, trabalham (as vezes pagam para trabalhar!) o dia todo, pau para toda obra, e quando chegam em casa e tiram os sapatos, toca-lhes o telefone por conta de um chamado para atender a um irmão doente, um enterro, um desesperado, uma abandonada, etc. Quantas vezes estes chamados urgentes não acontecem quando a presença do pastor era requerida pelos de sua própria casa necessitando de apoio, carinho, presença...

Há muito amor chegando aos líderes, mas há muita fofoca também. Muita maledicência, mesquinharia e, posso dizer, pois não sou pastor: Muitos líderes são sugados (sinto dizer isto, mas tem ovelha que é vampiro mesmo) até o tutano.

Neste processo, cansei de ver servos verdadeiros enfrentando problemas com seus filhos, esposas, parentes, reflexo da extrema cobrança, fofoca, inveja (sabe lá Deus do que, mas tem!) e disputas políticas.

Eu vi famílias desfeitas, filhos que se tornaram ateus e toda a sorte de problemas e, confesso a vocês de todo o coração: Nunca conheci pessoalmente um caso onde o pastor pudesse ser responsabilizado inteiramente por isto, a menos que lhe fosse cobrada coerência a esta capa de super-homem que suas ovelhas lhes imputaram.

Ainda não conheci um único líder que tenha se dado tal envergadura de super-herói, que na verdade não fosse um farsante destes que batemos tanto por aqui. Entrementes, conheci muitos que receberam esta capa de super-homem (ou mulher maravilha), sem pedir e sem desejar, mas a receberam de gente que nunca conseguiu SER e VIVER CRISTIANISMO na essência (no Pai e no Outro) e se projetam no HOMEM, que ainda se muito virtuoso é HOMEM e só.

Não é fácil se livrar desta armadilha. O servo (a) deve, a todo momento, se policiar. Se deixa correr solto, o “manto do sagrado” vira esconderijo até mesmo para a sua família.

Um amigo pastor me disse: Danilo, eu só vivo bem e seguro em minha casa e com minha família, porque o Senhor nos sustenta e porque dou conta da minha vida a algumas pessoas que me servem de conselheiros em Cristo. Sem isto, caímos todos.

Pastores levam muito “trabalho para casa” e quando o fazem, levam também o “pastor” e o “espiritual” e deixam o “homem”, o “pai” e o “marido” na porta. Eu já ouvi algumas vezes declarações deste tipo: “quantas vezes me vi sendo pastor de minha mulher, presbítero de meus filhos, quando tudo o que eles queriam era o homem e o pai deles.”

Meus irmãos: Ser pastor não é fácil não. Eu não sou pastor, mas sou amigo de uma dezena ou mais. O que eu vejo é exercício constante de humildade no vigiar das atitudes e escolhas. É muito fácil ser dominado pelo orgulho e a soberba destrutiva após um belo sermão. É muito fácil se sentir acima da crítica e das tentações.

A Igreja brasileira enfrenta muitos problemas, mas é impossível viver sem Igreja. A congregação deve assumir a sua parcela de responsabilidade. Devemos ser bereianos e vigilantes, como fazemos por aqui (blogosfera), mas também devemos assumir a nossa parcela de responsabilidade na vida de nosso líderes.

Devemos orar pelos nossos pastores, motivá-los, ajudá-los, nos fazer presentes no bom e no ruim. Propondo servir, ao invés de sempre querer ser servido. E aos mais velhos da igreja, que assumam o seu papel de apoiar e ouvir o pastor em suas angústias. O pastor é gente também!

Vamos olhar para CRISTO e para a CRUZ, sempre. E diante dos erros, que todos nós cometemos, devemos ter apenas a Cruz no foco, lembrando que aquele a quem o Senhor confiou a tarefa de nós pastorear é HOMEM.

http://www.youtube.com/watch?v=qEINQ_oOCfA&feature=player_embedded

Este testemunho é apenas um, entre milhares. Apenas ilustra a matéria pela grande relevância do autor. O artigo é dedicado a todos os meus amigos pastores (as), missionários (as) e servos (as) em geral que nos prestigiam aqui no Genizah

Danilo Fernandes mostrando outra face no Genizah


Leia Mais em: http://www.genizahvirtual.com/2010/04/pastores-sao-homens-fardos-depositados.html#ixzz11PDoWXgv

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